\Trip do Mês\
 Participantes Foto: Troller
 Troller Foto: Troller
 Troller Foto: Troller
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4/2/2005 - Troller
2ª Expedição Troller
2ª EXPEDIÇÃO TROLLER
A Troller realiza a sua segunda expedição internacional. Quebrando fronteiras os 23 "Trolleiros", em 12 carros de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina saíram de Foz do Iguaçu seguindo viagem e em meio a muito calor. A expedição durou 8 dias de muita aventura, emoção, enfim, coisas que só quem viveu essa experiência pode saber o que realmente é viajar em lugares totalmente isolados de meios de comunicação e a quilômetros de distância da civilização. Essa foi a 2ª Expedição Troller.
2ª EXPEDIÇÃO TROLLER
Desbravando fronteiras
1º Dia - 04/02/05 - O dia amanhece ensolarado em Foz Iguaçu, no Paraná e os últimos ajustes para 2ª Expedição Internacional Troller já estão sendo finalizados. Motores funcionando, malas devidamente arrumadas e a ansiedade, enfim, acalma. Por volta das 8h30, foi iniciada a aventura de nove dias, em percurso de 4.380 quilômetros rumo à cidade Antofagasta de la Sierra, no norte da Argentina.
Na fronteira do Brasil após resolver alguns trâmites alfandegários, que ocasionaram um atraso de cerca de 2 horas, a expedição pegou a estrada. O comboio formado por 23 "aventureiros", em 12 carros, de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina segue em direção a cidade de Resistencia a 610 quilômetros de Foz Iguaçu. O trecho não ofereceu dificuldades aos participantes. Somente o forte calor provocou inúmeras paradas para que as pessoas pudessem se refrescar. A expedição seguiu pelo Parque do Iguaçu rumo a San Ignacio, província de Missiones – localizada a 300 metros de altitude em relação ao nível do mar. Este o local foi escolhido para o almoço e também para proporcionar aos participantes a possibilidade de visitar as ruínas dos jesuítas, datadas de 1610, na antiga aldeia dos índios guaranis, além de conhecer a magnitude do trabalho desses missionários.
A viagem prosseguiu pela cidade de Posadas, capital da província de Corrientes. Durante o caminho, os aventureiros atravessaram o rio Paraná em direção ao destino do dia: Resistencia, na Província de Chao.
Mesmo sem obstáculos, pois o trecho percorrido era de asfalto, e com alguns pontos isolados de chuvas, a expedição transmitiu a sensação de aventura. "A emoção de visitar outro país já é fascinante, mas de carro percorrendo vilarejos é muito mais interessante", disse a jovem Juliana da Fonseca, participante pela primeira vez de um evento da marca.
Os aventureiros chegaram à Província de Chao por volta das 21 horas, com muitas expectativas para continuar a expedição. "Não vejo a hora de chegar o dia seguinte e voltar para estrada", completou Fonseca.
2º dia – 05/02/2005
O caminho das borboletas
O segundo de viagem foi bem intenso, pois a programação reservava uma distância de 850 quilômetros. Às 9 horas a expedição deixou Resistência para seguir com destino a Salta, da província de mesmo nome. Após 100 quilômetros de estrada boa, os jipes enfrentaram um trecho de pouco mais de 50 quilômetros de estrada nas piores condições, que permitiam uma média horária de no máximo 40 km/h, mas nada que um brasileiro não esteja habituado, aliás, em todo trajeto feito na Argentina percorrendo três Províncias a expedição não havia passado por nenhum trecho de asfalto ruim. Vilma Bastos e sua sobrinha Miriam participam da aventura internacional com muita empolgação e contagiam a todos. A tia, uma costumeira viajante – vai uma vez por ano para a Antártica -, é adepta de viagens de carro e um pouco de aventura. "Minha família tem esse perfil, por isso quando não saio com amigos é só chamar uma das minhas sobrinhas", diz. Para Miriam a expedição é uma forma de descontrair e esquecer a rotina. "Mesmo as dificuldades, como a estrada de hoje, não nos assusta, pois não são muito diferentes do que estamos acostumadas lá no Brasil", afirma. Na estrada o comboio cruzou com muitas máquinas agrícolas, andou por inúmeras retas que pareciam não ter fim e tudo isso com temperaturas elevadas, cerca de 40 graus. Mas isso não foi a maior dificuldade do dia. O grande desafio era cruzar as nuvens de borboletas na metade do percurso. Em questão de poucos instantes o pára-brisas limpo ficava impregnado de marcas desses voadores. Isso é tão comum, que em qualquer parada tem um garoto a postos para limpar os vidros e faróis. O pára-brisas ficava tão sujo que todos tinham que parar em menos de duas horas para limpar os vidros novamente. Quando não eram as borboletas eram os pássaros. Naquela parte do país trafega muitos caminhões carregados de grãos, que caem no asfalto e atraem uma quantidade enorme de passarinhos, tomando conta de boa parte do caminho. Já com 600 quilômetros percorridos o comboio cruzou regiões com muitos animais soltos, um perigo constante. "Essa Província é uma das mais pobres da Argentina", explica o argentino Hector Penno, guia da expedição. A semelhança pode ser atribuída ao sertão brasileiro. O dia começou com uma altitude de 64 metros em relação ao nível do mar e terminou com 1260 em Salta. A grande surpresa foi a recepção na cidade. Ao chegar, por volta das 20h e 30min., o comboio foi escoltado por batedores da polícia para percorrer o centro, como se fosse um grande desfile. Talvez pelo fato de ser Carnaval e pelo comboio ser brasileiro. Na passarela, os jipes não fizeram feio e tomaram todas as atenções.
3º dia – 06/02/2005
Nas alturas
Hoje o dia começou um pouco mais tarde e o compromisso dos participantes era com a cidade de Salta. Às 10 horas o comboio desfilou mais uma vez pela cidade e parou por uma hora na Praça 9 de Julho. Depois de tirar as dúvidas dos locais, sobre o carro e a viagem os participantes puderam visitar o centro, as igrejas e o museu histórico. Em seguida, a caravana alinhou em frente ao monumento a Güemes – uma homenagem a um dos mais destacados generais daquele país. Depois de um reforçado almoço o caminho a seguir tinha como destino final Cachi, ainda na mesma província. A maior parte do grupo é formado por duplas, mas alguns carros estão com três pessoas. Dois participantes viajam sozinhos, um deles é Clarindo Mendes, que na plenitude dos seus 70 anos aproveita a vida fazendo novos amigos e conhecendo novos lugares. "Sou viúvo e meus filhos não gostam de longas viagens de carro, então vou sozinho mesmo. Mas isso aqui é uma coisa muito fantástica", diz ele. No trajeto a expedição percorreu cerca de 40 quilômetros por asfalto para mudar a rota e seguir por uma estrada de pedras, o inicio de uma subida sinuosa pelos vales Calchaquíes. Com 15 minutos desse trecho começou a cair uma garoa que acompanhou o comboio até atingir o ponto mais alto do dia, a pedra Del Molino, a altitude de 3348 metros em relação ao nível do mar. Antes de chegar ali, os casacos tiveram de ser vestidos e para alguns, até as luvas. Ao seguir viagem para chegar ao Parque Nacional Los Cardones (cardone é uma espécie de cacto), a expedição pode avistar as montanhas nevadas compondo o cenário mais ao fundo. No Parque surge o asfalto novamente e de imediato uma reta extensa, conhecida por reta Tin Tin. Às 19 horas o grupo chegou em Cachi, na altitude de 2280 metros. Mais uma vez a recepção foi uma festa proporcionada pelo departamento de turismo da província de Salta.
4º dia – 07/02/2005
Os deslumbrantes Valles Calchaquíes
Na chegada a Cachi no dia de ontem foi possível avistar o Nevado de Cachi – uma montanha com os picos nevados -, que animou a todos e fez com que a expedição acordasse ansiosa para chegar o mais próximo possível dessa montanha. Às 9 horas o grupo seguiu por uma trilha, a mais difícil até agora, percorrendo 20 quilômetros de ida e mais 20 de volta pela região de Lãs Pailas – esse é o nome dado às serras devido ao aspecto parecido de uma paila - uma espécie de panela para cozinhar. Na parte extrema da trilha os participantes puderam visualizar a cadeia montanhosa composta por nove cumes, todos com neve na parte mais alta. O cume que se destaca é o Libertador General San Martín, situado a 6380 metros de altitude. O almoço do dia foi no hotel em que os participantes pernoitaram, a Hostería Cachi, que faz parte da rede A.C.A (Automóvel Clube Argentino). No grupo que compõe a expedição, o casal Djalma Bevilacqua e Eliana Brandi de São Paulo estavam deslumbrados com a viagem. "Nosso objetivo era conhecer essa região e aproveitamos a expedição para realizar essa vontade", confessou Bevilacqua. O desejo além de realizado com a expedição serviu de combustível para o casal decidir explorar um pouco mais a região e ir até o Atacama, no Chile. Eles acompanham a expedição até quinta-feira, quando o grupo chega em San Antonio de los Cobres, depois seguem viagem sozinhos. "Vamos aproveitar mais uma semana que temos de folga", completou Eliana. Às 14 horas o comboio entrou na Ruta 40, uma estrada que corta toda a Argentina. Pelo caminho de chão batido e muita pedra, o encanto das formações rochosas foi o motivo de várias paradas ao longo da estrada e não era por menos, a paisagem desse local é única. Para completar o encanto várias serras de cores variadas. No percurso o comboio passou por vários rios secos ate chegar a Cafayate, que juntamente com Cachi formam as principais localidades da região dos Valles Calchaquíes. Em Cafayate estão alguns vinhedos da Argentina e o grupo não poderia perder a oportunidade, encerrando a maratona de 165 quilômetros às 19h20 min. com um brinde regado a vinho regional.
5º dia – 08/02/2005
Atingindo o objetivo
O dia começou com uma visita a vinícola Etchart, uma das principais de Cafayate. Depois o grupo seguiu 47 quilômetros pela Ruta 40 até o acesso para visitar as ruínas dos índios Quilmes. De lá foram 160 quilômetros por uma extensa reta para o comboio entrar na região de clima desértico e em seguida iniciar uma "escalada" pela Cordilheira dos Andes. "Estamos cortando a Cordilheira", vibrava o guia da expedição, o argentino Hector Penno. Chegando a altitudes de até 4 mil metros em relação ao nível do mar, os carros deveriam ter o rendimento comprometido, mas nenhum dos 12 Troller apresentou problemas. Já os participantes sentiram bastante a dificuldade de respirar e exercitar-se em alturas elevadas. "Ficamos mais cansados, mas esse esforço é compensado pela paisagem que apreciamos pelo caminho", diz o pecuarista Sérgio Silvério, viajando com sua filha Bruna, de 18 anos. Hoje é o dia em que a expedição atinge o seu objetivo: Antofagasta de la Sierra, segundo a definição dos habitantes "a casa do sol". Este município da província de Catamarca está a 3600 metros de altitude e conta com paisagens encantadoras. Na região são mais de 220 vulcões, sendo o principal deles o Galán, de 6600 metros de altura. Sua cratera tem 40 quilômetros de diâmetro, por isso é considerado o maior do mundo. Antes de chegar ao município a expedição já podia observar alguns vulcões, que mesmo longe, dava para se ter uma idéia da dimensão deles. As lavas petrificadas chamaram a atenção de todos e foi motivo de uma parada para descanso e fotos. O casal João Carlos e Eurídice Teixeira já está acostumado a longas viagens de carro, mas mesmo assim está surpreso com o roteiro escolhido pela organização: "Cada dia tem uma coisa melhor que a outra", define João Carlos.
6º dia – 09/02/2005
Na terra dos vulcões
Pela primeira vez o grupo se dividiu. Para aproveitar melhor Antofagasta de la Sierra a organização ofereceu algumas opções aos participantes. Uma parte decidiu acordar bem cedo e visitar o principal vulcão da região: o Galán. A viagem levou o dia todo e percorreu um pouco mais de 350 quilômetros por estradas de rípio – chão de terra batida com pedras britadas. Para Eliane Brandi que seguiu na primeira opção a longa viagem valeu a pena. "Foi bem interessante, além de conhecer esse exuberante vulcão, que tem a maior cratera do mundo, o caminho foi muito bonito. Conhecemos nascentes de águas termais, lagoas fascinantes e muitos animais, como a Vicuna e a Lhama", disse ela eufórica. A opção mais escolhida foi curta, cerca de 40 quilômetros na região próxima ao município de Antofagasta de la Sierra e contou com a maior parte do grupo. Esse segundo comboio pode subir num morro da cidade e avistar toda região ao seu redor. Também visitou algumas ruínas com inscrições rupestres, o vulcão Antofagasta e uma lagoa repleta de flamingos. "Aproveitamos esse dia para descansar e ainda tivemos a oportunidade de ir a lugares que guardam muita história", disse Geraldo Ferreira, um aposentado que se define como estudante. "Já trabalhei bastante, agora minha vida é viajar", afirma ele. Para Jaqueline Araripe do núcleo de eventos da Troller, essa viagem serve como um meio de proporcionar ao cliente o conhecimento de outros lugares, novas culturas, além de ampliar o ciclo de amizades. Fora isso o cliente pode usufruir de todos os recursos do jipe: "O roteiro possibilita testar toda a potencialidade do Troller, indo a lugares inóspitos e de difícil acesso que apenas um bom 4x4 consegue chegar", completa. Para encerrar o dia os participantes foram calorosamente agraciados com uma apresentação de cantos e danças regionais protagonizados por crianças.
7º dia – 10/02/2005
Indo além
A saída de Antofagasta de la Sierra foi como dizer adeus a entes queridos, isso devido a tamanha dedicação das pessoas daquela região com os integrantes da expedição. Desde os funcionários da hospedaria até as autoridades como o secretário da província de Catamarca – o estado em que pertence Antofagasta - , e o prefeito do município estiveram o tempo todo acompanhando o grupo. Carros em movimento, a poeira toma conta e aos poucos vai encobrindo os acenos. Entrecortando pequenos vilarejos, o comboio sempre encontra gente morando isoladamente em certos cantos da Argentina e mesmo em condições de vida difícil saúdam a passagem dos carros com sorriso no rosto. A cena comovente acompanha o grupo por toda viagem e acrescenta a todos o sentimento de gratidão e compaixão por seu semelhante. "Quando damos um doce para uma criança o sorriso de alegria e encantamento é uma grande satisfação", diz Miriam Bastos, viajando ao lado de sua tia Vilma. O dia reservou uma grande surpresa: cruzar o Salar de Hombre Morto – uma salina abandonada. Ainda sem habituar-se a altitude os participantes sentem-se demasiadamente cansados e hoje o dia foi mais difícil: "Atingimos 4560 metros de altitude", vibrou Miriam. O ponto mais alto da expedição aconteceu ao chegar em Alto Chorillo. De lá o comboio seguiu para uma parada em um trecho da linha férrea em que passa o "Trem das Nuvens", o viaduto La Polvorilla. Mais um pouco de estrada e a expedição chega em San Antonio de los Cobres, onde pernoitou a altitude de 3900 metros. Ao chegar nessa cidade o tempo estava razoavelmente estável, com temperatura em torno dos 18 graus. Em questão de poucos instantes ventos fortes tomaram conta da região e a temperatura baixou repentinamente. Logo todos estavam agasalhados, com direito a luvas e gorros. "Mesmo agasalhado duvido que alguém queira sair daqui", disse Sérgio Silvério. E ele tinha razão, os participantes terminaram o dia ao lado da lareira com um pouco de vinho e muita musica, proporcionada por Miriam, como se autodefine: uma cantora nas horas vagas.
8º dia – 11/02/2005
Ladeira abaixo
A altitude (3900 metros) e a temperatura baixa (aproximadamente 5 graus) de San Antonio de los Cobres são condições desfavoráveis para um carro, mas todos os 12 Troller não tiveram problemas para funcionar o motor e prosseguir a viagem. Desta vez a despedida foi dos companheiros Djalma Bevilacqua e Eliana Brandi, que seguirão viagem até o Chile. "Foi uma boa companhia, essa expedição vai ficar na memória", despedia-se Bevilcqua. Pouco depois das 9h30 min. o comboio seguiu pela ruta 51 com destino a Salta. O caminho foi recentemente castigado por fortes chuvas e a distância de 180 quilômetros durou cerca de seis horas. No trecho da estrada em que se encontra asfaltada, vários trechos são de concreto, já prevendo deslizamentos e enxurradas que destroem o asfalto. O percurso passou pelas ruínas Santa Rosa do Tastil da era pré-hispânica e contemplou os participantes com uma bela vista de formações rochosas de cores variadas por boa parte do caminho. A linha férrea por onde passa o "Trem das Nuvens" seguia ao lado da estrada que passou a sensação de ladeira abaixo. O dia terminou em Salta a altitude de 1260 metros.